"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que já nos levam sempre aos mesmos lugares. É tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

(Fernando Pessoa)
Já dizia uma frase clássica da obra de Homero: "Decifra-me ou te devoro". Sejam todos bem vindos!!!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Como organizar as ideias ao construir uma redação. O texto Dissertativo-Argumentativo.

 Exemplo de uma redação com três argumentos

Tema: Fenômeno bullying: como tratar comportamentos agressivos entre jovens?

      Título: O bullying

Introdução

O termo bullying se refere ao conjunto de agressões físicas ou verbais, exercidas de maneira repetitiva sobre uma pessoa considerada mais fraca ou vulnerável. Além do escolar, ocorre em vários ambientes como na internet, denominado cyberbullying. Os agressores, em sua maioria, já sofreram esses maus-tratos no passado. Enquanto às vítimas, podem até desenvolver doenças psicossomáticas por causa das agressões.


(A1)
Embora muitas pessoas acreditem que o bullying ocorre apenas nas escolas, esse problema também está presente em ambientes de trabalho, entre vizinhos e na internet. Neste meio circundante, também conhecido como cyberbullying, serve para intimidar outras pessoas, principalmente nos sites de relacionamento, através do envio de fotos e mensagens, constrangendo e magoando a vítima.

(A2)
Em se tratando dos agressores, estes são motivados por diversos aspectos relevantes, a saber: o fato de já terem passado por esse problema anteriormente, tanto no ambiente familiar quanto no escolar; não se sentirem bem no contexto escolar e acreditarem que, por esse meio, podem ser integrados; porque foram acostumados a todos fazerem suas vontades no ambiente doméstico e, com isso, querem que os outros tenham o mesmo comportamento, dentre outros.

(A3)
No que se referem às vítimas de bullying, estas sofrem sérias consequências como doenças psicossomáticas, que são aquelas causadas por angústias, tristezas e ansiedade. Além disso, a enorme pressão subjugada a elas resultam em dificuldades nos relacionamentos afetivos, profissionais e sociais. A incompreensão desse problema em relação a essas pessoas só piora suas frustrações, levando-as a cometerem até suicídio.

Conclusão

Portanto, medidas devem ser tomadas para sanar esse problema como o reconhecimento dos pais, da sociedade e da escola de que o bullying existe e causa uma série de danos às vítimas. Ocorrendo no ambiente escolar, cabe ao diretor, coordenador, professores e familiares tomarem medidas sérias para exterminá-lo.

(Flávia Rodrigues)


sábado, 20 de abril de 2013


Dedico este conto de Clarice Lispector aos que pensam ter controle sobre os mistérios do amor e da paixão.

Por não estarem distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

Clarice Lispector


Ó CHUVA





Ó chuva, desabe cada vez mais forte sobre aqueles que tanto necessitam de ti. Caia! Não tão forte, que destrua as delinquentes construções criadas pelo homem, findando vidas e sonhos; e nem tão fraca, que não devolva o brilho aos olhos do povo, sobretudo o povo nordestino.
Acabe com a disputa dos animais pela falta de pastagem, diga-se de passagem, há tempo que muitos nem têm mais pelo o que disputar.
Abrande o fel estridente, que os nossos corações sentem ao ver milhões de pessoas afetadas com a sua falta; açudes secos, gado morto, que não conseguiu sobreviver comendo capim seco e com a sede.
Ó chuva, a sua falta traz problemas sociais tão sérios; a fome, a miséria, a seca... Imperam no sertão nordestino.
Há quem aponte como solução, de maneira simples, construções de cisternas, açudes, incentivo público à agricultura, com sistema de irrigação... No entanto, em um país em que a Copa do Mundo é mais importante que a educação e saúde, por exemplo, esperar uma solução efetiva das autoridades, especificamente, do governo Federal, está mais próximo de uma utopia.
Resta-me clamar por ti, ó chuva!!

Flávia Rodrigues

terça-feira, 20 de março de 2012

Perplexidade


a parte mais efêmera

                    de mim

é esta consciência de que existo

e todo o existir consiste nisto

é estranho!

e mais estranho

                    ainda

        me é sabê-lo

e saber 

que esta consciência dura menos

que um fio de meu cabelo

e mais estranho ainda

                    que sabê-lo

é que

                         enquanto dura me é dado

        o infinito universo constelado

        de quatrilhões e quatrilhões de estrelas

sendo que umas poucas delas

posso vê-las

                    fulgindo no presente do passado

(Ferreira Gullar)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Biografia


(google imagens)

Lapidando a infortuna de sua vida,
o retrocesso à infância favorece.

Pensamentos sangram o que não viveu.
Retoma-se a esperança de recomeçar.

Cumpridos todos os requisitos de sua
existência, conforma-se com a fatalidade
posteriormente revelada em sua biografia.


Flávia Rodrigues