"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que já nos levam sempre aos mesmos lugares. É tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

(Fernando Pessoa)
Já dizia uma frase clássica da obra de Homero: "Decifra-me ou te devoro". Sejam todos bem vindos!!!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Recordação

Imagem: http://www.deltateta.com.br/2010/04/27/auroras-polares-aurora-boreal-luzes-do-norte-e-aurora-austral/

A noite chega e o silêncio nunca fez tanto barulho como nesse dia... Ouvia as conversas daquelas tardes; risos, discussões, zombarias... A revelação plena do contentamento desconhecido. Ao amanhecer, acordava com a confusão ruidosa; vozes, talheres, risos, polêmicas, xícaras.... A lua, com a sua claridade passando pela brecha de minha janela, participava dessa ocasião. Partilhava o momento triste de minhas lembranças mais felizes. Em súbito desvio ao pensamento, percebo cores patenteando: rosa, laranja, lilás, verde... A aurora designando o recomeço.

(Flávia Rodrigues)



sábado, 17 de setembro de 2011

Poema do dia: DESMAGIA


É preciso desembaraçar o novelo;
desritualizar o ritual
e, a todo instante, reinventar
mesmo o que foi reinventado mas azedou.

É preciso descartar o açúcar;
conhecer
o gosto que as coisas têm;
assumir
a obviedade do óbvio -
morder a fruta sem medo
nem avidez.

(Ildásio Tavares)

Eu, um ser antiquado

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Hoje, eu estava pensando... É impossível não gostar das músicas de outrora, principalmente quando nos deparamos com essa "poluição sonora", presente na contemporaneidade. Desculpem-me as pessoas que gostam e chegam a delirar ao ouvi-las. Saibam que, além de entendê-los, os considero vítimas de um sistema social, através do qual a educação foi deixada em segundo plano. Mas não é só isso, não!
Como fica a cultura popular? Será que ao entendê-la encontramos uma explicação mais clara para esse problema? É através da cultura popular que conhecemos os padrões comportamentais e as crenças de um povo. Opondo-se à cultura de elite, a cultura de massa, baseada nos costumes e tradições, é transmitida pela oralidade para as gerações vindouras. Em sendo assim, por onde andam as Lendas e Mitos do Brasil? A Literatura oral e de cordel?
Prefiro viver outra época. Período em que Elis Regina, por exemplo, traduziu a vida difícil e sofrida do "caipira" de maneira sensível, poética e apaixonante na canção Romaria, do compositor Renato Teixeira.
Certo que a vida é movimento, e cada um pode ser a "Metamorfose Ambulante" do Raul Seixas, caso não seja, será uma contradição, pois na medida em que vamos envelhecendo, adquirimos sabedoria com o tempo. Mas, entre viver outra época e a degradação da figura feminina presente em muitas canções contemporâneas, como "Esfrega a xana no asfalto", da banda Black Style, serei demasiadamente um ser antiquado.

(Flávia Rodrigues)